12 de set de 2008

HISTÓRIAS DA VANDA


O TOMBO DA PROFESSORA

Para chegar à Escola, podíamos passar por dois caminhos: a estrada, cujo percurso demorava uns 15 minutos, ou a pinguela, que desembocava na rua principal da vila. Na verdade, essa pinguela era um tronco de coqueiro deitado sobre um córrego. Havia muita lama nas margens e focos de Shistosoma mansoni. Particularmente, não gostava de seguir por esse atalho, mas quando era preciso poupar tempo, a pinguela era a solução.

Num dia de muita chuva, o caminhão que fazia nosso transporte chegou atrasado. Os alunos já aguardavam as professoras do outro lado da pinguela. Encharcada e com quatro bolsas nas mãos iniciei a travessia.

Enquanto andava sobre aquele tronco, lembrei que precisava tomar uma importante decisão a respeito do trabalho com as crianças. Eu vinha enfrentando sérios problemas de disciplina. Na verdade, eu não estava conseguindo “vender meu peixe”...

Naqueles poucos segundo de travessia, um turbilhão de pensamentos tomou conta de minha cabeça. Quando estava quase terminando meu percurso, faltando apenas alguns passos, aconteceu o pior: escorreguei! Sujei-me completamente, mas salvei as bagagens! Alguém gritou: “A professora caiu!”

Por causa de uma crise de risos, não conseguia levantar-me da lama. Praticamente fiquei encalhada. Alguns alunos vieram ao meu socorro.

No rosto dos alunos havia um ar de riso preso, como se quisessem caçoar de mim. Porém, sem nada dizer, escrevi no quadro algumas palavras inventadas momentaneamente. Pedi que copiassem. Apaguei o quadro e pedi que desmanchassem tudo. Alguns reclamaram, mas não dei ouvidos e pedi que copiassem uma lista de palavras do livro. Uma aluna quis falar, mas não permiti. Até que um deles esbravejou: “Qual é, tia, a senhora esqueceu como é que se dá aula?”

Questionei, então, sobre como se sentiam naquele momento. É claro que estavam incomodados com aquela situação. Disse-lhes, então, que eu sentia a mesma coisa quando não me respeitavam. Exprimi-lhes meu descontentamento com suas atitudes ofensivas, alguns ficaram perplexos. Pareciam cair em si, assim como eu havia caído da pinguela.

Conversamos sobre regras e sua necessidade para um bom convívio social. Convidei uma aluna para anotar nossas conclusões e assinamos um “combinado”, no qual estavam descritas as novas normas da sala. Passei tudo para um cartaz que ficou exposto na parede até o fim do ano letivo.

Apesar de algumas regras terem sido modificadas com o tempo, todos nós aprendemos a lição: a base de todo relacionamento é o RESPEITO. Deixamos as gritarias de lado e diminuímos as exclusões. Quando alguém quebrava alguma regra, a própria turma interferia e chegávamos a um consenso.

Na última semana letiva, fizemos um balanço geral do ano, relatando os pontos positivos e negativos. Cada um escreveu sua opinião num formulário que criamos. Ao ler um deles, dei uma imensa gargalhada. Lá no meio da lista de pontos positivos um aluno escreveu: “o tombo da professora”.


CONTINUANDO COM AS HISTÓRIAS


DIAGNÓSTICO PRECIPITADO


Meu sobrinho apresentava problemas na escola. Segundo a professora, ele não gostava de estudar e ficava cantando na hora da aula, atrapalhando a turma. Na tentativa de compreender a situação, chamei o garoto para conversar
- Por que você não quer fazer os deveres que a professora passa?
- Ah, é porque eu já sei tudo o que ela dá...
- Que atividades você já sabe?

Pegando algumas folhas na mochila ele passou a desenhar vários (es) e (emes), ou seja os velhos e tradicionais exercícios de coordenação motora.

Perguntei-lhe se já conhecia as letras. Ele respondeu que sim,que já conhecia o alfabeto todinho. Então perguntei se já sabia juntar as letras. E ele não só me respondeu afirmativamente como também, começou a escrever várias palavras alfabeticamente.

A essa altura, minha cunhada já estava mais calma e relatou-me que ele havia aprendido a ler e escrever sozinho, depois de ter contato com livros, jornais, letreiros de lojas ,etc. No entanto, ela jamais imaginou que fosse ter problemas na escola.

Ora, sabemos que as crianças não são folhas em branco onde podemos riscar à vontade, ou blocos de argila que moldamos a nosso gosto. Por trás daquele lápis há um ser pensante, um sujeito ativo, coadjuvante no processo ensinar/aprender. Quem alfabetiza precisa conhecer o caminho que a criança percorre para aprender a ler e escrever; precisa ler grandes autores e autoridades em educação. Enfim, tem que acompanhar as mudanças sociais, políticas e filosóficas. Ignorar o que a criança já sabe quando chega à Escola é ignorar tudo isso.

Antes de ir embora, meu sobrinho fez uma confidência:
- Ah, tia, teve um dever que eu achei legal!
- Puxa, qual foi?
- Esse aqui, ó! ( Mostrou-me uma folha com os números 1-1-1-1-1 no alto da página. A atividade proposta era a repetição do número 1, ou seja, a unidade, devendo o aluno copiá-lo dezenas de vezes até encher a folha).
- Ora, mas por que você achou esse dever legal? (Eu estava curiosíssima!).
- É porque esse aqui é mais difícil. É pra gente fazer o número “onze mil cento e onze”!

11 de set de 2008

RELEITURA DE OBRA DE ARTE

Trabalho desenvolvido pelos alunos da 2ª série da profª Vanda.

Após analisar obras de arte de artistas renomados, os alunos criaram seus próprios desenhos transformando-os em miniquadros.










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9 de set de 2008

AMOR À PÁTRIA






Imagens do desfile, no dia 7 de Setembro, quando nossos alunos representaram lindamente todo o amor à pátria vestidos com a camiseta do projeto LER, ESCREVER E CONTAR, e exibindo o catavento que simboliza os novos ventos que sopram na educação do Espírito Santo.








7 de set de 2008

DIA DA INDEPENDÊNCIA







Ainda comemoramos o dia da Independência com desfile cívico. Daqui a pouco nossos alunos estarão na avenida representando a escola e apresentando os projetos desenvolvidos até o momento. Eles estão empolgadíssimos. Iremos para a avenida com uma proposta simples, porém bem apresentável, com o tema bem desenvolvido. Mais tarde postaremos algumas fotos.


5 de set de 2008

PROJETO DONA BARATINHA



LIVRINHOS QUE OS ALUNOS ESTÃO PRODUZINDO



















ALGUMAS CENAS DA HISTÓRIA

PINTADAS PELA PROFª DEOLINDA








DRAMATIZANDO

Os amores da Profª Lenira em momento de encenação










Estamos chegamos ao finalzinho dos trabalhos com o projeto Dona Baratinha. A história vem nos proporcionando inúmeras atividades, como já citamos anteriormente, dentre elas a confecção de livrinhos, a dramatização dos alunos na sala de aula conforme a história avança, leitura e, muita possibilidade de escrita.