10 de out de 2009

Pensando a psicogênese da língua escrita

Lendo o artigo "O posicionamento teórico do alfabetizador e... suas consequências" da Prof Ms. Joana Maria Rodrigues Di Santo, tomamos como base o parágrafo abaixo para tecer algumas reflexões sobre a prática.
"Considera-se a alfabetização uma parte constituinte da prática da leitura e da escrita, onde, na interação com os textos, a criança constrói o seu conhecimento, as hipóteses a respeito da escrita e, dessa forma, progressivamente aprende a ler e a escrever
, compreendendo as relações que existem entre fonemas e grafemas, codificando e decodificando, pois a alfabetização acontece como resultado da reflexão sobre as características e regularidades da escrita, sendo a palavra um meio para isso."

Trataremos especialmente da justificativa de um dos nossos alunos para demostrar o seu entendimento sobre a regra do "m" antes do "p" e "b". Na realidade o objetivo da aula, que teve duração de alguns dias, era trabalhar os sons da letra "s" (letras que representam sons idênticos em contextos idênticos). Realizamos algumas intervenções referentes a letra "s" no contexto intervocálico diante de a, o, u e intervocálico diante de e, i, nesse caso, as letras ss, ç, c.

No momento da correção de um ditado de texto escrito em versos cuja estrofe era: "a moça bonita/de laço de fita/ri do palhaço/que balança a pança", a professora constatou que um dos alunos havia escrito a palavra balança com "m" no lugar de "n". Como já tinha sido trabalhado a nasalização e, consequentemente, essa abordagem da regra do m diante de p e b, ao questionar o aluno sobre a confusão na escrita ouviu uma surprendente resposta. O aluno foi categoricamente seguro ao dizer que escreveu corretamente a palavra e quando a professora fez referência à regra ele apontou para o "p" da palavra pança, que aparece na frase depois da palavra balança. A reposta desse aluno serve pra gente refletir especialmente sobre formas de interpretação. Estamos levantando as nossas hipóteses a respeito dessa resposta. Chamou a atenção de todos nós, não só a liberdade de expressão da criança, mas a peculiaridade da interpretação pra uma regra que, há anos trabalhamos sem jamais imaginar nos deparararmos com uma explicação como esta. Lembrando, também que outras crianças podem estar interpretando da mesma forma que esse aluno. Agora já estamos frisando bem que a regra diz respeito à palavra.


4 comentários:

Rocio Rodi disse...

Olá, meninas!
A gramática intuitiva da criança colocando em cheque a gramática normatica e declarativa. A regra pode ser vista nem sempre ao pé da letra, mas, de acordo com as assimilações (cultura) e acomodações (novas adaptações) do processo de construção do conhecimento. Os processos de pensamento surpreendem quando nos colocamos a ouvir a criança e re-olhar. Isto confere uma revisão também acerca do que conhecemos/praticamos como método sintético ou analítico, pois, segundo Vygotsky, é preciso ensinar a "linguagem escrita" e não a escrita de letras ou palavras. A escrita é uma representação da fala. A escrita é a representação da cultura. A cultura escrita. O que isto exige? Repensar a fim de que não caiamos no erro histórico de que a criança não atribua sentido ao que lê. Por exemplo, na frase da cartilha: "a asa é da ave", a crianças veem a letra, a sílaba, a palavra, até lêem a frase, alguns verbalizam a fala internalizada, soletram baixinho, surpreendem quando pensam que cada palavra não está ligada a outra e que uma frase tem múltiplos significados. Na experiência que vivenciamos, a criança disse que a "asa" era do avião e que a ave era um pintinho. Outra criança disse que não sabia o que era ave. Visão bem cartesiana, entrecortada. A formação do pensamento como representação conceitual, na criança, é correlativa à aquisição da linguagem. A função semiótica diferencia o pensamento da ação e conduz à representação. O que significa ler? Que sentidos a criança vai atribuindo à medida que decodifica asa ou ave ou vovô e uva? Como relaciona? Escolhemos a palavra por ser simples? Pelos fonemas ou grafemas? É preciso que as crianças escrevam a própria vida e leiam a sua realidade, e como diz Paulo Freire, escrevam a palavramundo. Acho muito importante falar da psicogênese e revisitar o conhecimento sociohistórico sobre os avanços dos processos de letramento. E nós professores como estamos nos dando tempo de aprender com elas, que nos exigem revisão do que vimos só acumulando? O debate motiva. Alonguei-me nesse espaço de vocês, porque me fez relfetir bastante.
Um abraços

Lenira, Deolinda, Claudiane, Vanda disse...

Ei,amiga pode ficar à vontade.

Maria do Rocio, quando fizemos a postagem o pensamento era exatamente esse, abrir espaço para o debate e suas colocações aqui nos ajudam a refletir sempre mais. Ainda bem que a Educação caminha para o sentido de reflexão das múltiplas ações. Acredito que aos poucos vamos nos libertando cada desse apego aos métodos tradicionais. Quando resolvemos trabalhar o caderno de registros foi exatamente pra deixar que a escrita da criança se concretize como ponto de partida para o trabalho com leitura e escrita.

Obrigado pela participação. Volte sempre.

Bjus...

Teresa Carneiro disse...

Oi amada!!!Estou comemorando 10 mil visitas e vc faz parte do sucesso do meu blog!!!Se vc quiser, traga o selinho para cá...afinal. vc é uma das responsaveis pelo sucesso do blog!Bjs Teresa

Teresa Carneiro disse...

Oi amada! Estou comemorando 10 mil visitas e voce faz parte do sucesso do meu blog! Se você quiser, traga o selinho para ca... afinal voce é uma das responsaveis pelo sucesso do blog! Bjs Teresa