31 de ago de 2008

OUVIR HISTÓRIAS




“Ah!!!Como é bom para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas
estórias...escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, é ter um caminho
absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo...”(Fanny
Abramovich, 1997, p.16)




Bonecos Palito da Rose Diniz

30 de ago de 2008

A HISTÓRIA DA DONA BARATINHA




JUSTIFICATIVA


O sucesso na alfabetização e no letramento depende da criação de um “Ambiente Alfabetizador”, produzindo estímulos que provoquem nos alunos atos de leitura e de escrita, permitindo-lhes compreender o funcionamento da língua escrita e a apropriação de seu uso social.
Nesse contexto, histórias como a da “Dona Baratinha”, aparecem como um excelente recurso pedagógico, tornando o processo ensino-aprendizagem mais prazeroso e motivador.

OBJETIVO GERAL

Proporcionar a criança, através da leitura de histórias, o seu envolvimento com o enredo e personagens, estabelecendo uma relação com os textos, predispondo-se à alfabetização e ao letramento.


DESENVOLVIMENTO

Para criar um clima de suspense, no dia anterior ao início do projeto, apresentei aos alunos um cartaz com os seguintes dizeres: "QUEM SERÁ QUE VAI CHEGAR AMANHÃ?" Enfeitei o cartaz com as personagens que aparecem na história.Ficaram muito curiosos, mas não mataram a charada.



No outro dia estavam todos ainda mais curiosos. As hipóteses eram as mais variadas. Passei então a dar dicas... "O cartaz refere-se a uma história infantil", "É a história de um animalzinho bem pequeno"...entre outras.

Assim que adivinharam de que história se tratava, conversamos sobre o começo da história. Pedi para escreverem esse começo de acordo com a suas hipóteses, sem se preocupar com a escrita, da maneira que conseguissem. O importante nesse momento seria vê-los produzindo seus próprios textos de maneira significativa.



Está sendo muito interessante a realização desse trabalho, que teve início na primeira semana de agosto e, que ainda se estende. Estamos entrando na parte final, quando a Dona Baratinha escolhe o rato como noivo. E a cada nova parte, o processo segue o mesmo até o momento: levantamento de hipóteses, escrita, leitura individual,leitura do texto original (conhecer as idéias das autoras), cópia do texto original, verificação da escrita, ilustração e outras atividades que envolvam Ciências (dei continuidade ao trabalho com Animais), Geografia (ampliando o trabalho sobre moradias), Matemática...Tudo sempre respeitando o nível de aprendizagem de cada criança num trabalho, às vezes individual, ora em duplas, ora em grupos. Todos estão bem envolvidos nesse projeto.

Em breve estaremos postando mais novidades. Este projeto vem sendo realizado pelas duas primeiras séries, sendo os trabalhos postados aqui da sala da professora Lenira, 1ª série B.





As gravuras foram retiradas do blog Casa da Infância e do Picasa da Vanessa.

28 de ago de 2008

ATIVIDADES PARA A SEMANA DA PÁTRIA











POESIA




ÓCULOS


GRAVATA


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COPIAMOS DO MARIANA'S BLOG
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25 de ago de 2008

HISTÓRIAS DA VANDA


O PRIMEIRO GRITO DO IPIRANGA

Semana da Pátria. A Diretora queria um desfile impecável dos alunos pela única rua da vila. Minha irmã e eu trabalhávamos na mesma escola, em turnos diferentes. Era a nossa primeira “Independência”... No entanto, era necessário relacionar esse tema cívico às aulas de leitura e produção de texto. Afinal, alfabetizar e desenvolver senso crítico são assuntos afins.
O trabalho com as crianças envolveu desde a pesquisa em enciclopédias até entrevistas com pessoas comuns para saber o que era civismo. Foram produzidos textos, desenhos e um mini-livro sobre civismo. As bandeirinhas do Brasil desenhadas pelas crianças ficaram uma graça! Fizemos até concurso de frases! Porém, faltava realizar algo mais convincente, como um ato público, por exemplo.
Numa das reuniões pedagógicas, relatamos às demais professoras nosso anseio por independência. Depois de muita discussão, decidimos que o problema “transporte” era prioridade. Andávamos em caminhões, pois os ônibus não atendiam ao horário das aulas. Chegávamos atrasadas às segundas-feiras, empoeiradas e desanimadas pelos percalços. Clamaríamos, portanto, uma solução às autoridades. Dessa forma, tramamos confidencialmente dar nosso grito do Ipiranga logo que o nosso D. Pedro se pronunciasse.
O tema do desfile era “A Criação do Mundo – um mundo com Independência”. Separamos os pelotões por subitens, cada um destacando um dia da Criação. As crianças do setor dos animais adoraram a idéia. As meninas dos vegetais capricharam nas alegorias, dando um toque sobre o Meio Ambiente. Adão e Eva sairiam bem vestidos, com roupas feitas de material reciclado, simbolizando a Re-Criação. Até os meninos vestidos de Sol, Lua e Estrelas brilhariam na pequena rua de terra batida. D Pedro I, em seu cavalo, viria ao final, com uma frase de efeito para encerrar o último pelotão e ser a “deixa” para nosso brado heróico e retumbante.
No grande dia, tudo parecia correr bem, ou melhor, desfilar bem. A banda marcial, vinda de uma escola da Sede, apresentava seus primeiros toques. As crianças marchavam sorridentes. A Diretora, encantada, elogiava a todos pelo trabalho.
A comunidade parou para assistir o evento. De todos os cantos, por todos os lados, viam-se rostos de gente sofrida, queimada pelo sol. Trabalhadores da roça, que vinham prestigiar-nos. Mulheres com lenços nas cabeças abrigavam-se sob a sombra das árvores. As autoridades já estavam no palanque: o Prefeito Municipal, a Secretária de Educação do Município, a Chefe do então Subnúcleo de Educação Estadual, alguns vereadores e a Diretora de nossa Escola.
Sol quente de setembro, as coisas começaram a “ferver”. O bode de um dos alunos ficou nervoso com o barulho do bumbo e saiu em disparada no meio da multidão. Corre daqui, corre dali, foi um sufoco até prendê-lo novamente. Um pato voou. Ainda bem que pensaram se tratar de uma evolução. O pior ainda estava por vir: o cavalo de D. Pedro fez uma “parada estratégica” em frente ao palanque e deixou uma “recordação” pelo chão! Alguém gritou um “Viva D. Pedro” para amenizar a situação.
Conforme o combinado, pedimos a palavra. Ouvimos o Hino Nacional. Lemos nosso manifesto e clamamos às autoridades presentes que nos ajudassem a resolver o problema do transporte, a fim de trabalharmos com mais tranqüilidade. Relatamos o cansaço, as horas perdidas nas estradas e todos os riscos que corríamos, enfim.
Um grande silêncio se fez. O Prefeito olhou para os alunos, para a comunidade e para nós, meio surpreso. A Secretária da Educação, então, sorriu e disse que esse 07 de setembro, entraria para a História, pois representava o nosso grito do Ipiranga. Finalmente, o Prefeito convidou-nos para uma reunião em seu gabinete a fim de tratarmos do assunto, que posteriormente foi solucionado. Fomos aplaudidas por todos.
Naquela noite, contemplando as estrelas, fiquei imensamente feliz! Não somente por termos sido ousadas, mas por termos deixado naquelas crianças e naqueles rostos sofridos uma marca, um desejo: lutar por seus direitos. A própria comunidade falava do ocorrido com orgulho.
Ainda hoje, muitos anos depois, quando ouço notícias daquele lugarejo e suas conquistas, orgulho-me de não ter desistido na última hora. Que bom! Esse grito continua ecoando...

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HISTÓRIAS...




O MENINO DO LÁPIS PRETO



Era um menino sisudo, de poucas palavras. Sentava-se na última carteira. Do seu canto, olhava-me com desconfiança. No recreio, isolava-se dos demais. Minhas tentativas de aproximação foram frustradas, até que um dia descobri que ele tinha uma enorme facilidade para desenhar. Porém, todos os seus desenhos eram pintados de preto ou marrom.
Como as crianças costumavam colar seus desenhos no “Cantinho das Artes”, sugeri que também usasse aquele espaço para expor sua criatividade. Ele gostou da idéia, mas desistiu assim que um colega disse que era estranho, pois só pintava os desenhos de preto. Aquele episódio deixou-me intrigada.
Comecei, então, minhas primeiras investigações acerca do “menino do lápis preto”. Teria problemas psicológicos? Seria uma criança reprimida? (Aliás, por que é que nós, professores, temos mania de rotular nossos alunos?)
Descobri que brincava de pique na rua. No campo, jogava bola. E o mais incrível: sabia contar os pontos num jogo de sinuca. Quando alguma bola caía, ele somava todos os pontos da mesa e sabia quais bolas precisava atingir para vencer!
Eu não conseguia entender como uma criança podia agir de um jeito na escola e de outro na rua. Resolvi, então, mudar a dinâmica das aulas. Comprei joguinhos, alguns eu mesma confeccionei com as crianças e procurava textos que falassem sobre futebol. E não é que o garoto esboçou um sorriso lá atrás? Mas os desenhos continuavam a vir de preto.
Depois de muito trabalho, resolvi aplicar meu golpe final: conversaria com ele frente a frente, olhos nos olhos.
Numa sexta-feira, quando o sinal tocou, disse-lhe que precisávamos conversar. Perguntei se estava gostando das aulas. Ele balançou a cabeça com um “sim” meio tímido. Disse-lhe que eu era uma pessoa de confiança e que estaria pronta para ouvi-lo caso tivesse algum problema. Ele apenas sorriu.
Então, tomei coragem e, perguntei-lhe por que só usava lápis preto e marrom para colorir seus desenhos?
- É só isso, professora? – Respondeu-me com outra pergunta - O problema é que eu só tenho esses dois lápis, e fico com vergonha de pedir emprestado...


24 de ago de 2008

ESCOLA - FAMÍLIA


A família "desestruturada" e/ou um novo agrupamento familiar

As estatísticas mostram que aumenta, o número de mulheres que são o "cabeça do casal", sendo as únicas responsáveis pela família e/ou provedoras da maior parte do orçamento doméstico. Sabemos que famílias da camada popular costumam congregar, numa pequena área construída, também os avós, tios, sobrinhos, etc.

É importante (re)conhecer um novo conceito trabalhado nas pesquisas atuais: é o que denuncia o modelo nuclear de família - pai, mãe, filhos - como norma, como definidor da família, o que não corresponde mais à realidade social e o pior, tem servido para considerar como "desorganizadas" as famílias que não correspondem a essa forma de organização dominante e simbólica na sociedade. Assim, não se pode continuar pensando num único modelo de família, pois os outros podem ser rotulados por nós como estranhos, desorganizados e problemáticos, precisando até mesmo de tratamento. Acontece que a família parece estar-se reestruturando, organizando-se em novas estruturas, e não necessariamente caminhando na direção da desestruturação.

Todos nós conhecemos famílias em que a separação dos pais não, necessariamente, levou a traumas nos filhos, mas em alguns casos em um verdadeiro alívio para esses, que viviam num constante estado de tensão em seu ambiente familiar.


Fonte: Escola-família: Encontros, desencontros e reencontros
Maria Cristina Fellet Guimarães


20 de ago de 2008

FOLCLORE......ATIVIDADES

Copiamos estas atividades do blog Carinharte, da amiga Josy.









19 de ago de 2008

FOLCLORE


PARLENDAS

Hoje é Domingo,
pé de cachimbo
O cachimbo é de ouro,
Bate no touro,
O touro é valente,
Bate na gente,
A gente é fraco,
Cai no buraco,
O buraco é fundo,
acabou-se o mundo


Outra versão dessa parlenda :

Amanhã é domingo,
Pé de cachimbo
Galo monteiro
Pisou na areia.
Areia é fina.
Que dá no sino.
O sino é de ouro.
Que dá no besouro.
O besouro é de prata.
Que dá na barata.
A barata é valente.
Que dá no tenente.
O tenente é mofino.
Que dá no menino.
O menino é danado.
Que dá no Soldado.
O Soldado é Valente.
Que dá na gente...


CRENDICES ...

VOCÊ ACREDITA NELAS ?

.Cruzar com gato preto na rua dá azar.

Chinelo ou sapato com a sola virada para cima,

o pai ou a mãe podem morrer.

Sol com chuva, casamento de viúva.

Agosto? Mês de cachorro louco !

Apontar estrela com o dedo faz nascer verruga.

Vassoura atrás da porta espanta visitas.

Sexta-feira 13 é dia de azar.

Jogar sal no fogo espanta o azar.

Passar debaixo da escada é má sorte.

Quebrar um espelho, dá sete anos de azar.



C-H-A-R-A-D-A-S-

.Para que serve óculos verde?

R: Para verde perto ...

. O que a galinha foi fazer na igreja?

R: Assistir a Missa do Galo ...

.O que o cavalo foi fazer no orelhão ?

R: Passar um trote !

.O que é que tem oito letras, mas tirando quatro ainda ficam oito?

R: A palavra biscoito !

.O que há no meio do coração ?

R: A letra "a" !

.O que é um pontinho azul no céu

R: Um urublue

.Como se faz omelete de chocolate ?

R: Com ovos de páscoa !

.Por que a plantinha não fala?

R: Por que ela é ainda uma mudinha ...



T-R-A-V-A L-Í-N-G-U-A-S

O tempo perguntou pro tempo
quanto tempo o tempo tem.
O tempo respondeu pro tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem.

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Gato escondido com rabo de fora
tá mais escondido que rabo escondido
com gato de fora.

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Se o papa papasse papa

Se o papa papasse pão,

Se o papa tudo papasse

Seria um papa -papão
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Contribuições do blog O Mundo Encantado de Cecília Meirelles

17 de ago de 2008

REFLEXÕES SOBRE A ESCRITA


Leitura e escrita contribuições da Neurociências


Da maneira como o cérebro funciona é preciso que se escreva.Escrever significa, realmente, fazer frase, texto, com síntaxe, da própria mão. Muito do trabalho que a gente tem visto em alfabetização é feito com substantivo. É muita lista de palavras, cruzadinhas, carimbo... Enfim, são atividades com substantivo.

O que as Neurociências nos ensinam sobre isto? Primeiro, uma coisa fundamental: que o cérebro funciona por classes gramaticais. Nós temos áreas especializadas para processar substantivos, nós temos áreas especializadas para o processamento de verbos, nós temos áreas de sintaxe e semântica, e que para escrever uma sentença simples eu preciso mobilizar substantivo, verbo, sintaxe e semântica. O que acontece quando você trabalha só com substantivos? Você desenvolve, muito, as áreas de substantivo. Por isso, que nós temos muitos alunos que dão conta de escrever palavra, fazer lista, mas quando a professora pede para fazer um texto ele não consegue. Por quê? Porque não tem domínio da sintaxe.



Elvira Souza Lima ( APROPRIAÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA)

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15 de ago de 2008

ATIVIDADES


















Encontramos nos blogs Mundo da Alfabetização,
Aprendizagem em ação e Professora Gegê, das amigas Tatiana, Débora e Gegê.
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Ambiente Alfabetizador

Sala da 2ª Série. Mural dos Aniversariantes e o Alfabeto, confeccionados pela prof Deolinda. Ficou muito lindo...


13 de ago de 2008

LER, ESCREVER E CONTAR

O ponto de partida para todo aprendizado. Projeto do governo do Estado do Espírito Santo que visa potencializar o processo de alfabetização dos alunos da rede pública estadual, apontando ações de intervenção que promovam a aprendizagem dos alunos e a participação efetiva da família neste processo.


12 de ago de 2008

PREFERÊNCIAS





Embasadas em idéias de professoras alfabetizadoras que encontramos nos blogs que visitamos e nos tantos encontros que participamos, criamos o projeto "CADERNO DAS PREFERÊNCIAS".
Trata-se de um caderno previamente preparado e, diga-se de passagem, com muito cuidado e esmero,em que o aluno é colocado em situações reais de leitura e escrita.
A primeira mensagem do caderno é destinada aos pais motivando-os a acompanhar as atividades do seu filho.Daí para a frente, a criança é levada a responder perguntinhas sobre suas preferências, que ora são contextualizadas com um texto, ora são perguntinhas criativas sobre questões cotidianas.Os textos devem ser selecionados
com bastante cuidado e devem ser atraentes para a leitura.O caderno contém ainda espaços para cada um deixar escrito uma receitinha e também um poema e uma mensagem, sempre relacionados às preferências do aluno.Em geral o aluno fica de três a quatro dias para executar todo o trabalho. Criamos também uma maneira interessante para o caderno ser levado para casa, o que dá um ar ainda mais solene para a atividade que teve até lançamento, foi um momento especial para decidir quem seria o primeiro a levar para casa. Haverá também um dia especial para o fim da atividade. Além das classes de alfabetizaçao, as demais séries também estão realizando este trabalho, sendo que cada um vai fazendo as adaptações que deseja. Até o momento o resultado tem sido muito positivo.
As fotos foram tiradas por nós, que mesmo sem muita prática nos arriscamos e vamos postá-las apenas para que se tenha uma idéia de como estamos fazendo.

Lembrando que trata-se do piloto do projeto.



HISTÓRIAS DA VANDINHA





A DESCOBERTA DA MARGARINA

Uma das maravilhas que o professor alfabetizador pode contemplar todos os dias é a descoberta das crianças. É lindo ver os alunos tentando ler os rótulos dos produtos comprados em sua casa, os letreiros das ruas, os livros que encontram à sua frente... Daí a importância de cultivar a leitura na sala de aula. Melhor do que painéis de personagens infantis é dar à criança o acesso à leitura de jornais, revistas, livros, cartazes, ou seja, materiais que possam ser lidos.
Lembro-me de uma aluna que descobriu a “margarina”. Ela chegou à escola correndo e sorrindo, dizendo que havia conseguido ler uma “coisa” na hora do café:
- Professora, professora ( ofegante )! Eu li uma coisa!
- Que bom, eu sempre acreditei em você! O que foi que você leu?
- Eu estava tomando café. Aí eu li no pote: mar...ga...rina! (gritando) A minha avó tomou um susto!
Depois desse diálogo frenético, a sala ficou em polvorosa, pois todos queriam contar suas experiências. Então combinamos que todos deveriam tentar ler alguma coisa diferente nos materiais do “Cantinho da Leitura”. Sentamos no chão e começamos a recortar palavras. Cada um ia colando as palavras que conseguia ler:
- Professora, eu achei uma palavra: “cedo”( lendo a palavra SEDU, que significa SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO ).
- Eu achei “colher” (substantivo). Mas é “colher” ou “colher”(verbo) ?
- Olha, eu achei “pais” ( a palavra era país ).
- Mas é “pais” ou “país”?
- Ah, professora, por isso a gente errou naquela pergunta. Era pra escrever o nome do nosso País e não o nome dos nossos pais...
Então, fomos lendo , colando e discutindo o sentido das palavras. No final, fizemos um texto coletivo.
Se as aulas estão em sintonia com as necessidades dos alunos, são mais produtivas. Essa mesma aluna que descobriu a “margarina” no café da manhã e deu um susto na avó, me deixou sem palavras ao ler em minha camiseta o nome do meu Diretório Acadêmico, que na época se chamava “Liberdade de Expressão”. Que nome adequado àquela situação! Uma criança, descobrindo o mundo através da leitura, precisa ter liberdade de expressão!
Como lecionar para robôs? Como esperar silêncio numa sala em que as mentes estão fervilhando de idéias? Como gerar conhecimento a partir de atividades que privilegiam a cópia e a leitura sem sentido? É preciso repensar a nossa prática.
Todas as manhãs, quando contemplo o potinho de margarina sobre a mesa do café, repito para mim mesma: “ Preciso formar descobridores de margarinas, de biscoitos, de leites...”


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Histórias...

O DADO DE DEDÉ

Quando um professor entra no mundo da Alfabetização, precisa entender que esse mundo é real, e não um mundo paralelo. Descobri isso após uma “interpretação de texto” sobre um dado. Aliás, por que se usava tanto a palavra “dado”?
Num papel kraft escrevi o seguinte:

O DADO
O dado é de Dedé.
Dedé deu o dado a Didi.
O dado caiu.
O dedo de Dedé doeu, doeu.



Seguindo à risca o manual, passamos àquela insólita interpretação de texto:
- De quem é o dado?
- (...)
- Crianças, de quem é o Dado?
- Didi... ( alguém se arrisca meio tímido).
- Gente, leiam o texto! De quem é o dado?
- Dodô? ( Arrisca outro aluno ).
- Dudu? ( mais uma tentativa frustrada ).
Simplesmente fiquei estática. Não sabia o que fazer. O olhar das crianças era de dúvida.
Silêncio geral. De quem seria o dado? Num ato de lucidez, peguei uma folha de papel ofício, recortei vários retângulos e escrevi o nome de duas crianças da sala. Colei por cima dos nomes “Dedé” e “Didi”. Como os alunos já conheciam os nomes uns dos outros, responderam sem pestanejar quando perguntei, desta vez, de quem era o dado.
Texto, para um aluno que está se apropriando de sua língua, é algo que pode ser lido e que precisa ter sentido. Quantas vezes, por pura insegurança, usamos receitas emprestadas. Porém, o que foi válido para alguns pode não servir para outros. Por isso, é preciso muito critério para escolher o caminho a seguir na alfabetização.
Certa vez, uma colega perguntou-me o que deveria fazer para mudar sua prática de sala de aula. Respondi-lhe que o primeiro passo já havia sido dado, isto é, reconhecer que é preciso mudar. Então falei que pensasse na maneira como fazia seu doce de mamão ( ela era uma doceira famosa). O mamão precisa ser sempre ralado? Não pode ser moído? E se eu processá-lo? Posso usar açúcar mascavo? Ponho cravo ou canela? Pode ser em calda, aos pedaços? Misturo coco? Essência de laranja?Casca de limão?
Rapidamente ela compreendeu a mensagem. A mudança ocorre paulatinamente. A essência da receita é a mesma. O que muda é o modo de fazer. Colocamos algo diferente aqui, outro ali. Mudamos o sabor, acrescentamos uma pitadinha de um ingrediente novo, experimentamos... Essa é a graça de alfabetizar! Temos que imprimir nossa marca, transformando o nosso espaço.
Afinal, não somos apenas alfabetizadores, mas...idealizadores de mundos!

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10 de ago de 2008

Sobre Elias José



MORRE O ESCRITOR ELIAS JOSÉ

Morreu em (02/08/2008) e foi enterrado na cidade de Guaxupé (MG).

O escritor e professor Elias José morreu aos 72 anos em Santos, no litoral paulista. O escritor passava férias no Guarujá, quando contraiu uma pneumonia.

Elias José nasceu em Guaranésia e com 13 anos mudou se para Guaxupé, no Sul de Minas. O escritor, que lançou o primeiro livro em 1976, produziu mais de cem títulos e recebeu vários prêmios, no Brasil e no exterior.

Autor de contos, poeta e romancista, uma das especialidades do escritor era a literatura infanto- juvenil.



BIOGRAFIA

Elias José nasceu em Santa Cruz da Prata, distrito do município de Guaranésia, Minas Gerais, em 25 de agosto de 1936. Além de escritor, Elias José é professor aposentado de Literatura Brasileira e de Teoria da Literatura na Faculdade de Filosofia de Guaxupé (FAFIG), tendo atuado também como vice-diretor, diretor e coordenador do Departamento de Letras e como professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira na Escola Estadual Dr. Benedito Leite Ribeiro.

Elias José estreou em livro com “A Mal-Amada”, em 1970, com apoio de Murilo Rubião, que reunia contos publicados em suplementos literários do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Portugal. Antes disso, já tinha conquistado o segundo lugar no Concurso José Lins do Rego da Livraria José Olympio Editora, em 1968.

Em 1971, publicou “O Tempo”, “Camila”, “Minicontos”. Em 1974, “Inquieta Viagem no Fundo do Poço” e “Contos”, ambos na Imprensa Oficial, sendo que este último ganhou o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro (CBL) como Melhor Livro de Contos de 1974 e o prêmio Governador do Distrito Federal como Melhor Livro de Ficção de 1974.

Elias José tem contos e poemas traduzidos e publicados em revistas literárias e antologias de autores brasileiros no México, Argentina, Estados Unidos, Itália, Polônia, Nicarágua e Canadá. Já foi várias vezes selecionado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para representar o Brasil em feiras de livros internacionais. Jurado de vários concursos literários, ministra cursos, oficinas e palestras, tendo participado de vários congressos de educação, lingüística e literatura.


Caixa Mágica de Surpresa

Um livro
É uma beleza
É caixa mágica
Só de surpresa...

Acreditamos ser este um dos poemas mais lembrados e trabalhados por nós, educadores.
Trabalhamos tanto com nossos alunos. Foi lindo os alunos de 1ª série declamando no dia do livro. Eles vão ficar tristinhos, aprenderam a amar os poemas de Elias José.



Tem Tudo a Ver


A poesia
tem tudo a ver
com tua dor e alegrias,
com as cores, as formas, os cheiros,
os sabores e a música
do mundo.

A poesia
tem tudo a ver
com o sorriso da criança,
o diálogo dos namorados,
as lágrimas diante da morte,
os olhos pedindo pão.

A poesia
tem tudo a ver
com a plumagem, o vôo e o canto,
a veloz acrobacia dos peixes,
as cores todas do arco-íris,
o ritmo dos rios e cachoeiras,
o brilho da lua, do sol e das estrelas,
a explosão em verde, em flores e frutos.

A poesia
— é só abrir os olhos e ver —
tem tudo a ver
com tudo.


Elias José



Fonte: Google

9 de ago de 2008

Falando de Leitura e Escrita


Muito interessante o artigo da Elvira Souza Lima sobre leitura e escrita na alfabetização. Ela inicia o artigo falando da educação brasileira no momento atual e, também sobre a necessidade de mudanças na forma de ensinar "porém isto não significa que precisemos inventar uma pedagogia absolutamente nova".
Elvira destaca ainda, a importância da socialização do conhecimento pedagógico "infelizmente nesse país nada é socializado, mesmo dentro do estado as pessoas não ficam sabendo o que está sendo feito, as redes municipais trabalham isoladas umas das outras."
Para a autora é fundamental que os educadores saibam mais sobre o funcionamento da memória, por isso, faz uma abordagem a respeito das contribuições da neurociência no conhecimento pedagógico e clama por mudanças na formação continuada dos professores "eu acho que se tivéssemos um curso no currículo para todo educador sobre memória, outro sobre função simbólica, outro sobre imaginação, os professores ficariam com mais instrumentos para lidar com esse ser humano que chega à sala de aula..."

Tivemos a oportunidade de ler e refletir sobre o texto da Elvira na jornada pedagógica realizada pela secretaria de educação o nosso estado no finalzinho de julho.

O que é foclore?




Folclore


Cada povo tem um jeito muito especial de compreender o que acontece à sua volta.
Para explicar fenômenos naturais, forças desconhecidas, ou para contar passagens importantes da nossa História, as pessoas comuns de todas as raças e religiões criam mitos, lendas, danças, músicas, hábitos e tradições.
O saber popular é aquele que atravessa o tempo pela comunicação oral das gerações, sendo recontado, falado, declamado ou cantado.
Boto, Cuca, Curupira, Saci-Pererê, Lobisomem, Mula-Sem-Cabeça existem na fantasia e imaginação de milhares de pessoas e fazem parte, de alguma maneira, da nossa memória.
Folclore, portanto, é o conjunto das tradições, conhecimentos, crenças populares, lendas, músicas, danças, advinhações, provérbios, superstições, brinquedos, jogos, poesias, artesanatos, contos, enfim, tudo o que faz parte da cultura e memória de um povo.

Segundo a Carta do Folclore Brasileiro, aprovada pelo I Congresso Brasileiro de Folclore em 1951, "constituem fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular, ou pela imitação".

O folclore é o modo que um povo tem para compreender o mundo em que vive. Conhecendo o folclore de um País, podemos compreender o seu povo. E assim conhecemos, ao mesmo tempo, parte de sua História. Mas para que um certo costume seja realmente considerado folclore, dizem os estudiosos que é preciso que este seja praticado por um grande número de pessoas e que também tenha origem anônima.

Qual a origem da palavra "folclore"?

A palavra surgiu a partir de dois vocábulos saxônicos antigos. "Folk", em inglês, significa "povo". E "lore", conhecimento. Assim, folk + lore (folklore) quer dizer ''conhecimento popular''. O termo foi criado por William John Thoms (1803-1885), um pesquisador da cultura européia que em 22 de agosto de 1846 publicou um artigo intitulado "Folk-lore". Esta data foi consagrada como o Dia Mundial do Folclore.
No Brasil, após a reforma ortográfica de 1934, que eliminou a letra k, a palavra perdeu também o hífen e tornou-se "folclore".

Qual a origem do folclore brasileiro?

O folclore brasileiro, um dos mais ricos do mundo, formou-se ao longo dos anos principalmente por índios, brancos e negros.



Copiamos do blog "Mundo da Alfabetização" da amiga Tatiana.
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Produção de Textos




PRODUZINDO POEMAS


AMIGA CASTANHEIRA

Em frente
a escola
uma castanheira
agarradinha no chão
dando sombra
com toda gratidão
parece ter
grande coração
Companheira!
tomara que dure
a vida inteira
e continue sendo palco
de muitas brincadeiras.


SOMBRA

No pátio da escola
à sombra da castanheira
quanta brincadeira!
Crianças brincam de bola
e também de pique cola
pique esconde é a preferida
de toda garotada
e a árvore se diverte
com tanta algazarra
quanta alegria!
Quanta poesia!

(Ana Cláudia, Natiele e Edivam 1ªsérie, Gabriele e Tainá 2ª, Samuel e
Juliana 3ª, Gleiner 4ª). (classe multisseriada)
Produção coletiva dos alunos da Prof. Lenira, em 2006, na escola KM 20 do Mutum.
Os textos foram publicados no jornal Gazetinha.

Histórias da tia Vanda


Olá, pessoal! Meu nome é Vanda Maria Fernandes Alves. Sou professora de 1ª a 4ª série há 21 anos pelo Estado do Espírito Santo. Amo o que faço e não trocaria de profissão .
É a primeira vez que tenho um espaço legal , junto com minhas colegas de trabalho, para compartilhar minhas experiências em alfabetização.

Durante esses anos de trabalho, colecionei algumas “pérolas” da alfabetização. São verdadeiras mancadas que a gente dá ou coisas engraçadas que acontecem quando as crianças estão se apropriando de nossa língua. Gostaria de chamar esse cantinho de “RIR PARA NÃO CHORAR”, que resume o que eu sentia após essas “falhas nossas” de cada dia...



COMO SURGIU A PULGA

Minha primeira experiência como alfabetizadora foi muito intrigante. Isto porque, ao sair do Curso Normal (antigo Magistério), a gente saía com mil e uma idéias na cabeça, mas não sabia direito como colocá-las em prática...
Chegando à escola, que ficava localizada na zona rural do nosso município,a Diretora me deu um manual grosso, com umas 200 páginas, amarelado, recheado com atividades para colocar em prática o famoso Método Silábico. A cartilha adotada trazia uns cartazes engraçados para mim e estranhos para os alunos. Fui descobrir isso muito tarde, isto é, lá pela família da Jarra.
Nesse dia, levei uma linda jarra de vidro para a sala. Fizemos Q-suco de morango, conversamos sobre a higiene na hora de preparar o suco, as crianças beberam suco, etc, etc, etc. Eu achei que estava abafando! Ensinei a Família da Jarra: ja-je-ji-jo-ju(naquela época ainda não haviam criado o jão). Coloquei o tal cartaz da jarra no varal da parede e fui “tomar” a leitura dos meninos . Qual foi minha surpresa, quando um garotinho leu para mim a palavra “CANELA” onde estava escrito “JANELA”.
Com muita paciência, pedi que o garotinho lesse a palavra novamente, observando a 1ª sílaba, o Ja. O menino lia “ca”. Comecei a ficar nervosa, retirei o cartaz da parede, mostrando-lhe a figura da jarra e pedi que o menino lesse novamente a palavra. Ele insistia no “ca” , sendo que era “ja”. Por fim, respirei fundo, seguindo os conselhos de minha professora de Psicologia. Levantei-me, peguei a jarra que havia levado, apontei para o desenho do cartaz e perguntei novamente ao garoto: “O que você está vendo aqui neste cartaz?” Ele respondeu calmamente: “Um CANECÃO.”
Nesse momento, uma “pulga” pousou atrás de minha orelha direita. E quando essa pulga fala, preciso respeitar sua voz. A pulga me disse que havia algo errado. Não com o menino, é claro. O meu cartaz é que não estava adequado.Como é que eu podia ensinar uma criança a ler e a escrever usando coisas que não pertenciam ao seu mundo? O menino não tinha culpa se na casa dele a mãe fazia o suco no canecão e não na jarra.
Esse episódio mexeu com minhas estruturas mentais. Comecei a refletir sobre minha prática, sobre o tal manual de 200 folhas, sobre métodos de alfabetização e sobre cartilhas. Nas reuniões pedagógicas, comecei a levantar essas questões e fui apresentada ao Construtivismo. Conheci a Epistemologia Genética de Jean Piaget e fiquei fã da Emilia Ferreiro.
Você poderia perguntar: “E aí, professora, como terminou a história do canecão?” A história não terminou aí. Aliás, ela estava acabando de começar. Afinal, alfabetizar é uma grande aventura. Agradeço àquela singela criança, que, em sua inocente insistência, colocou uma pulga atrás de minha orelha, fazendo-me perceber que, por trás daquela carteira, havia um ser pensante.

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“ O I DO ARIBU “

Se você é alfabetizador o título acima não causa estranheza. Esta frase foi dita por uma criança que estava aprendendo as vogais. Nessa época eu ainda estava trabalhando com o Método Silábico, mas a pulga já estava atrás de minha orelha ( leva tempo para mudarmos ).
Minha aluninha não estava conseguindo ler a palavra galinha de jeito nenhum. Nosso inusitado diálogo foi assim naquele dia:
- Querida, você poderia ler esta palavra para mim?
- Ga...li...nha ( gaguejando ).
- Você poderia ler novamente, agora, juntando tudo?
- Carijó!
Naquele momento quase tive um “treco”. Ela lia “ga...li...nha” e falava “carijó”. Mas a conversa não terminou aí:
- O que é “carijó” ?
- É a minha galinha, tia. Ela é preta e branca. Ela é lindinha. Foi minha avó que me deu.
- Você poderia desenhar sua galinha carijó para mim?
- Claro, espera aí...(pegando papel e lápis) Ela é assim...(foi desenhando e colorindo). Pronto, essa é minha galinha carijó.
- Agora, escreva o nome do seu desenho, que eu vou colar no nosso mural.
Ah!...Nessa época eu já tinha um lugar onde colava os desenhos feitos pelas crianças. Já havia arrancado todos os cartazes das “famílias” da cartilha e colado desenhos meus e dos alunos com os nomes embaixo. Aliás, lá estava o desenho do “CANECÃO” ( aquele da história anterior ).
Voltando ao caso da galinha carijó, minha aluna escreveu “ GALIA “. Sem censurá-la, colei o desenho no mural, pedindo que toda a turma lesse a palavra que havia embaixo do mesmo. Os alunos olharam e perceberam que faltava algo na palavra “GALIA”. A discussão foi acalorada, até que chegamos a um consenso e a palavra foi reescrita pela mesma aluna. Conversamos sobre as galinhas de todo mundo, fizemos um texto no quadro sobre a vida das galinhas, enfim, foi bastante proveitoso.
Então, só para ver se as crianças tinham aprendido mesmo a palavra galinha, eu perguntei no final da aula:
- E aí, pessoal, onde estava o erro da palavra “GALIA”?
Um garotinho levantou a mão e disse:
- Eu sei, professora, eu sei. Galinha tem o i do aribu!
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MAIS UMA SOBRE GALINHAS

Um fato que eu adoro é reunião de professores. Principalmente se eles forem alfabetizadores. Nos meus primeiros anos de professora , aprendi com minhas colegas que deveríamos planejar conforme a realidade dos alunos. Como eu trabalhava na zona rural, precisei fazer algumas visitas às casas das crianças.
Numa dessas visitas, encontrei uma galinha que era uma figura! A galinha era cega de nascença e havia sido condicionada pelo barulho de uma latinha. Quando as crianças batiam a lata no chão, a galinha vinha correndo, passando por cima de tudo que era obstáculo, chegando até à latinha com milho.C
Minha aluninha sugeriu que eu fizesse as honras da casa, isto é, alimentasse a Cocó-cega (como era chamada carinhosamente a galinha), só para sentir como era. Foi uma graça! A galinha abaixava e levantava a cabeça, bicando a esmo até acertar a lata. Eu ficava acompanhando os movimentos dela, deixando que comesse o milho até se fartar. Pior foi a hora de dar água, porque era a mesma coisa, só que a gente se molhava toda!
No outro dia, planejei uma bela aula sobre a Cocó-cega. Levei um texto sobre a minha experiência com a galinha e pedi que as crianças o ilustrassem. Lembro-me que elas gostaram muito dessa atividade, porque tinha tudo a ver com suas vidas. Aprendi que ao valorizar o mundo das crianças, elas passaram a dar mais valor ao que escreviam. Eu encontrava frases e frases sobre a Cocó-cega, sobre os cuidados que devemos ter com os animais e até sobre o amor que aquelas crianças tinham por eles. Sem falar na polêmica que foi deflagrada quando um aluno relacionou o problema da galinha cega com o meu problema de visão ( sou míope ). As crianças queriam saber por que eu usava óculos e eles não. Na aula de Artes, então, fizemos óculos de papelão para todos e até descobrimos uma aluna que tinha problemas visuais ( mas isso é outra história...)
Percebi que ler de verdade é isso: é ler o que está nas entrelinhas. Aqueles alunos estavam lendo e escrevendo muito mais do que galinha, ou milho, ou óculos. Eles estavam lendo e escrevendo suas vidas. Mesmo estando na roça, tinham conhecimento prévio e isto nunca pode ser desprezado pelo alfabetizador.
Minhas colegas diziam que seus alunos escreviam “A galinha come milho” tudo certinho, sem erros ortográficos. Eu não ficava preocupada quando os meus escreviam “ A pofesora deu milio pa galia sega”, porque eu sabia que eles estavam tentando escrever por si mesmos e não tinham vergonha disso. Eu achava isso o máximo!


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CAFÉ CORAJOSO E CAFÉ MEDROSO

Continuando minha jornada pelas casas dos alunos, aprendi mais uma com as crianças. Ao chegar à casa de uma delas, recebi um convite para tomar um cafezinho. Meu aluno perguntou se eu queria tomar café corajoso ou café medroso. Imaginando que café corajoso fosse o mais forte, pedi que trouxesse café medroso, pois aprecio mais um café fraco, sem muito pó (geralmente as alfabetizadoras têm gastrite ) .
Fiquei esperando uns 10 minutos e já estava começando a ficar preocupada, quando meu aluno apareceu com o café, um pires com um pedaço de bolo e uma fatia de queijo.
- Para que tudo isso, meu filho? – Disse-lhe, admirada.
- Ora, a senhora pediu café medroso, não foi?- Disse-me ele, com uma carinha suspeita...
- E qual é a diferença entre os dois?
- O café corajoso vem sozinho e o medroso vem acompanhado...
Depois de rirmos um pouco, fiquei pensando na volta pra casa: em Alfabetização, temos que ser como o café medroso, isto é, precisamos de acompanhamentos. Pode ser acompanhamento dos pais, da supervisora, e até das outras professoras e demais funcionários da escola. Alfabetizar-se também não é um processo solitário, mas solidário.
A professora que alfabetiza precisa de alguém para conversar sobre os progressos e retrocessos dos alunos, senão enlouquece. Ela vai às reuniões pedagógicas, fica aflita quando perguntam como estão os seus alunos e mais ainda quando alguém faz aquele comentário tipo “Seus alunos já deram aquele CLIC? “ As professoras mais experientes diziam que o CLIC era lá pelo mês de agosto.
Eu ficava imaginando que CLIC era esse. Será que as crianças tinham algum “botão” que precisava ser acionado para aprender a ler e escrever? E olha que os dois processos são distintos!
Se você é alfabetizadora ou tem vontade de ser, o primeiro passo é aliar-se a um grupo de pessoas que tenha os mesmos anseios, dificuldades semelhantes e objetivos comuns. Até o Planejamento das atividades deve ser feito em grupo, para que não pensemos que estamos voando sozinho ou que estamos fora de órbita.
E da próxima vez que for à casa de um aluno e ele lhe oferecer um cafezinho, peça sempre o medroso. Corajoso... você já é!